A turba Muda


A TURBA-MUDA
Acordara com o sol em meu jardim o orvalho começava a cair, em gotículas brilhante refletiam ouro e prata, os pássaros ,a muito cantava o sabiá  no arvoredo,que era meu quintal.
Assisto o desespero de uma lacraia, e olho o seu algoz, formigas eram seu algoz, milhares e milhares de formigas, correndo em todas as direções, uma dança uma simbiose era o resultado da dança.
Olhando surpreso, com senso analítico procuro a procedência, pois segue-se uma regra na busca, “veio de onde?, o que quer! , para onde vai? ” Busquei a fonte, a origem de tal quantidade existir.
E fixei mais ainda minha atenção e vi que tal movimento provinha de uma direção, denominei ponto 1, “partida”, o ponto de fuga. Na tentativa de quantificar o horizonte, até onde minha vista alcançava em meu quintal havia formigas, uma extensão de metros quadrados o quanto imaginei que fosse, o horizonte era todo formigas, pequenas, miúdas. E crianças, corriam no seu dia de iniciação, o dia da procura de seu lar, a saída da casa paterna, era a iniciação de todas aquelas formigas-adolescentes.
Mudas, loucas corriam para todas as direções, mas estranhamente iam sempre em frente, estranhei como! Pode uma turba ir em frente?
Códigos, foi assim que parti em busca de entender os chiados, sons emitidos com muita atenção podia-se ouvir, foi assim que i outra forma de mando, havia formigas maiores no meio da turba, dando direções a seguir. E aquele mar foi invadindo meu quintal, o inseto que não fugisse morria, de desespero ou por picadas, aquele mar ia banhando tudo de preto, tantas eram as formigas em progressão, meu cão latia. Em desespero. Duas horas depois quando foi alcançado. Ao meio dia eu já havia me afastado bem uns dez metros, já pensando se teria que intervir na progressão da horda, como o Cézar de meu quintal.
Horas depois cada buraco de madeira, de pedra ou no chão, foi cheio de formigas, ao fim da tarde foi rareando, ficando apenas as formigas maiores até que as últimas menores sumiram, as maiores, retornavam então por trilhas feitas, retornaram ao seu ponto de fuga, em uma linha do horizonte, até um ano passar.
As que ficaram em meu jardim, daqui a meses terei que entrar na guerra para salvar as rosas, as margaridas, todo o meu jardim, será campo de caça desta horda com fome, de uniforme como Cézar, sairei a matar formigas, assim entrei em uma guerra, pelas rosas, e orquídeas de meu jardim. Por flores ornamentais, dizimei uma geração, criei um hiato, na estória do formigueiro.